Sentir dor durante a relação sexual não deveria ser algo que você simplesmente aprende a suportar.

Algumas mulheres convivem durante meses ou até anos com ardência, sensação de rasgar, pressão, dificuldade para a penetração ou uma dor mais profunda durante determinados movimentos e posições.

E uma das coisas mais importantes é entender que dor na relação não acontece por um único motivo.

Nem sempre é falta de lubrificação.
Nem sempre é alteração hormonal.
E nem sempre o problema está somente no local onde você sente a dor.

Em alguns casos, a dor pode estar relacionada à tensão dos músculos do assoalho pélvico, aumento da sensibilidade da região, redução da mobilidade dos tecidos ou aderências.

Quando a tensão muscular pode causar dor na relação?

O assoalho pélvico é formado por músculos que participam de funções como continência urinária e intestinal, sustentação dos órgãos pélvicos e função sexual.

Durante uma relação sexual confortável, esses músculos precisam ter capacidade de se adaptar à penetração e relaxar adequadamente.

Quando existe uma tensão aumentada, pontos dolorosos ou dificuldade de relaxamento, a penetração pode gerar desconforto.

A mulher pode perceber:

  • ardência ou dor na entrada da vagina;

  • sensação de que existe uma barreira;

  • dificuldade para iniciar ou manter a penetração;

  • sensação de pressão ou estiramento;

  • dor que piora conforme a relação continua;

  • desconforto durante exames ginecológicos ou uso de absorvente interno.

Não significa necessariamente que o músculo esteja “fraco”. Muitas vezes acontece justamente o contrário: existe uma musculatura que permanece excessivamente tensionada e que precisa recuperar mobilidade, coordenação e capacidade de relaxamento.

E as aderências? Elas também podem causar dor?

Podem contribuir.

Nosso corpo possui tecidos que precisam deslizar uns sobre os outros.

Depois de processos inflamatórios, cirurgias pélvicas, cesáreas ou em algumas condições como a endometriose, pode existir uma redução dessa mobilidade entre os tecidos.

Quando determinado tecido não consegue se movimentar adequadamente, alguns movimentos podem gerar maior tensão e reproduzir a dor.

É muito comum, por exemplo, a paciente dizer:

“Na entrada não dói, mas quando a penetração fica mais profunda eu sinto.”

Ou:

“Dependendo da posição dói muito mais.”

Esse tipo de informação é extremamente importante durante uma avaliação.

A dor profunda pode ter diferentes causas e não significa automaticamente que exista uma aderência. Por isso, o objetivo não é simplesmente encontrar um ponto doloroso, mas compreender como essa dor se comporta e quais estruturas podem estar envolvidas.

Dor superficial e dor profunda são diferentes

Quando falamos em dor na relação, também precisamos entender onde essa dor acontece.

A dor superficial aparece principalmente na entrada da vagina e pode estar associada a alterações de sensibilidade, tensão muscular, alterações vulvares, hormonais e outros fatores.

Já a dor profunda é sentida durante uma penetração mais profunda e pode variar de acordo com a posição, o movimento e a região que está sendo tensionada.

Algumas mulheres descrevem como:

“Parece que bate em alguma coisa.”

“Tem um ponto específico que dói.”

“Sinto uma pressão muito forte lá dentro.”

“Algumas posições são impossíveis.”

Por isso, duas mulheres que dizem ter “dor na relação” podem apresentar situações completamente diferentes — e consequentemente não deveriam receber exatamente o mesmo tratamento.

Por que somente fortalecer o assoalho pélvico pode não resolver?

Porque nem toda alteração do assoalho pélvico significa fraqueza.

Se existe uma musculatura excessivamente tensionada, simplesmente prescrever contrações repetidas pode não atuar no principal problema daquela paciente.

Antes de pensar em fortalecer, precisamos avaliar:

  • existe tensão muscular?

  • existe dor durante a palpação?

  • a musculatura consegue relaxar?

  • existe boa coordenação?

  • há alteração na mobilidade dos tecidos?

  • a dor é superficial ou profunda?

  • existem posições ou movimentos específicos que reproduzem o sintoma?

O tratamento precisa partir do que foi encontrado na avaliação.

Como a fisioterapia pélvica pode ajudar na dor na relação?

A avaliação da fisioterapia pélvica busca entender muito mais do que simplesmente “onde dói”.

Investigamos o início dos sintomas, localização da dor, comportamento durante a relação, posições que pioram ou aliviam, sensibilidade da região, função muscular e mobilidade dos tecidos.

Dependendo do que for identificado, o tratamento pode envolver técnicas de relaxamento e coordenação muscular, dessensibilização, terapia manual, melhora da mobilidade dos tecidos, orientações domiciliares e progressão gradual para atividades que anteriormente provocavam desconforto.

Não existe uma única técnica que sirva para todas as pacientes.

E esse é um ponto importante: tratar dor na relação não é apenas ensinar a mulher a tolerar melhor a penetração. É investigar por que aquela penetração está provocando dor.

Dor durante a relação não precisa ser normalizada

Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo:

“Eu achei que era normal.”

“Meu exame ginecológico não mostrou nada.”

“Disseram que eu precisava relaxar.”

“Eu pensei que fosse coisa da minha cabeça.”

Ter exames normais não significa que a dor não exista.

Existem alterações musculares, funcionais e de mobilidade que nem sempre aparecem em um exame de imagem tradicional.

Se existe dor, existe um sintoma que merece ser investigado.

Fisioterapia pélvica para dor na relação em Santo André

Se você sente dor na relação, dispareunia, ardência durante a penetração, dor pélvica ou dor profunda durante o sexo, uma avaliação individualizada pode ajudar a entender quais fatores estão contribuindo para o seu quadro.

Atendimento de fisioterapia pélvica em Santo André – SP, com avaliação da musculatura do assoalho pélvico, sensibilidade e mobilidade dos tecidos.

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